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Jocirema Aparecida: "Não pretendo ir embora de Castanheira"

DATA: Terça-feira, 13/03/2018 00:00
FONTE: Agecom

Quando a brincadeira do “diz que nasceu em.... mas não conheceu...” ganhou contornos locais, o nome de Jocirema Aparecida Lopes Nascimento Serafim, 71, apareceu entre os destaques como professora de inglês. Em outras palavras, dizer que é de Castanheira e não conhecer esta paulistana, casada com Mauro Serafim, mãe de Janaína Serafim, da qual fala com orgulho, é no mínimo um ato falho.

 

Se a história de Castanheira passa pela Escola Maria Quitéria, foram 34 anos e 7 meses de trabalho por lá, como professora de português, matemática, história e, claro, inglês. Se a Escola Municipal Castanheira é outra referência, foi diretora da instituição. Também foi diretora das escolas rurais. E se uma Biblioteca marca a história de uma cidade, Jocirema também esteve e continua presente naquele espaço, ao qual sugeriu o nome que leva: Castro Alves. Com tanto serviço prestado à comunidade, está entre os personagens especiais agraciados com o título de Cidadania pela Câmara Municipal.

 

Dizer que Jocirema é antiga, por ser lembrada com frequência numa brincadeira que reverencia o passado, é ser injusto. Afinal, depois de sete décadas de vida, quando muitos já literalmente dependuraram as chuteiras, ela continua atuante, podendo ser encontrada na Biblioteca Municipal, inclusive manuseando ferramentas modernas, como o celular, onde costuma curtir as boas produções de aplicativos como o facebook, o whatsapp e outros. Mas é na leitura que ela mais se deleita. Por isto, está no lugar mais próprio para o seu jeito de ser. Atualmente prioriza “Cronistas do Descobrimento”, coletânea de textos organizada por Antonio Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa, da série “Bom Livro”.

 

Dos tempos primeiros de Castanheira, em que a Avenida Principal, a 04 de Julho, não ultrapassava os limites do hoje Sicredi; que a única escola era uma extensão da juinense Dr. Arthur, semente da Maria Quitéria e que uma viagem ao município do qual foi distrito era “um sofrimento” e muitos dependiam da boa vontade dos motoristas de caminhões toureiros, essa aguerrida mulher é taxativa quando fala do futuro: “Não pretendo ir embora”. Com este desejo, merece moção de aplauso, considerando-se que a única referência familiar por aqui é o esposo. E olha que os familiares, a começar a filha, todos alicerçados em São Paulo, insistem pelo seu retorno a terra onde nasceu.

 

“Aqui é o meu lugar”, diz Jocirema. Da terra, onde deixou em 1983, guarda apenas o coração corintiano e a lembrança amarga da ausência do pai no cotidiano do lar, por mais de uma década, nos tempos da ditadura militar.  O amor por Castanheira ganhou força com o carinho de seu povo. Com tanto tempo de serviço prestado em seus limites, destaca que sua maior alegria tem sido ver aqueles que contribuiu para a formação escolar crescendo em várias áreas, fazendo história. Dos sonhos que ainda almeja para o município, uma antiga bandeira: a implantação de uma Escola agrícola.  Para quem já viu tantos sonhos realizados na realidade do aqui, ninguém duvida que isto pode se concretizar!



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